Justiça eleitoral proíbe divulgação de pesquisa fraudada em Niterói

Atualizado: Nov 11


A Justiça Eleitoral proibiu a divulgação de pesquisa eleitoral publicada esta semana que vinha sendo utilizada para manipular voto útil de eleitores nesta reta final das eleições em Niterói. Os jornais Plantão EnFoco e Folha de Niterói foram os únicos a divulgar, no último domingo (08), a pesquisa eleitoral de uma empresa de Belford Roxo com erro de grafia no próprio nome: "R Lisboa EntreteRimento E MErketing LTDA" [sic], cuja função social é "gravação de som e edição de música". Veículos de maior precisão jornalística que atuam na cidade, após breve checagem de informações, optaram por não comprometer a credibilidade de suas marcas. A pesquisa foi realizada pela empresa "D Art Promoções e Eventos", que pertence a um vereador do PSDB em Tanguá, candidato à reeleição e que não possui o exercício de pesquisas eleitorais como uma de suas atividades oficiais. O endereço informado pela empresa à Receita Federal, inclusive, é o mesmo endereço do candidato.


A empresa, que não está no rol de entidades cadastradas no Conselho Regional de Estatísticas, nunca havia realizado nenhuma pesquisa eleitoral até o ano de 2020, quando recebeu R$ 51.400,00 para divulgar resultados de seis pesquisas eleitorais em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro. Em tempo recorde, a empresa já conseguiu realizar o feito de ter três representações ajuizadas contra ela. Na representação já parcialmente deferida pela justiça em um dos municípios, questionou-se o fato da empresa sequer possuir estrutura para a realização de várias pesquisas de grande porte em tão pouco tempo.


A empresa iniciou seus trabalhos em 2020 e já possui três representações ajuizadas contra ela.

A empresa contratante também consta com situação junto à Receita Federal de inaptidão por omissão de declarações. A empresa contratada tem capital social de apenas R$15.000, sem nenhuma tradição no ramo, com endereço comercial igual ao declarado pelo proprietário à Justiça Eleitoral como de sua residência, e mesmo sendo uma empresa de dimensão tão modesta, resolve estranhamente realizar suas 6 primeiras pesquisas de intenção de voto todas no curto de intervalo entre o fim de outubro e o início de novembro desse ano.


Outro fato grave é que todas as pesquisas foram realizadas pela mesma profissional de estatística. Caso as pesquisas sejam mesmo verdadeiras, devemos destacar aqui o brilhantismo com que a profissional desenvolve trabalhos tão complexos em tão pouco tempo. Entretanto, outro erro técnico básico que também foi encontrado na pesquisa de Niterói é a ausência das informações sobre nível econômico do entrevistado, informação que a legislação eleitoral determina que deva ser colhida obrigatoriamente.


A lista de erros não acaba por aqui. A pesquisa ainda conseguiu a proeza de divulgar questões e respostas sem estarem enumeradas, algo básico para a extração de dados estatísticos a serem divulgados, e ainda apresentou bairros que não existem em Niterói no anexo de documentos encaminhados ao Superior Tribunal Eleitoral:

Bairro que não existem em Niterói foram citados pela pesquisa.

Fraude pode ser tentativa de manipular voto útil em reta final de campanha


O cenário político das eleições para a prefeitura de Niterói em 2020 está muito fragmentado. Por mais que algumas pessoas tentem agitar a possibilidade de vitória em primeiro turno com uma pesquisa fraudada, sabe-se que isso não deve acontecer.


A disputa em Niterói é para saber quem vai para o segundo turno. Se a esquerda (Flavio Serafini e Josiane Peçanha) ou algum dos vários candidatos da direita, que esse ano estão espalhados em várias chapas. Com a diferença que Flavio Serafini é o deputado estadual mais votado da cidade e na última eleição já fez 20% dos votos válidos. Enquanto os candidatos da direita são estreantes e sequer a cidade conhecia há alguns poucos meses atrás.


Não vai ter vitória em primeiro turno. Basta comparar a pesquisa em xeque com pesquisas sérias, realizadas por instituições que já tem a confiança da justiça eleitoral e do público, como o Instituto Paraná de Pesquisas e Análise de Consumidor LTDA e GERP empresa Brasileira de Pesquisa LTDA, que realizaram pesquisas no município de Niterói para as eleições desse ano. Nenhuma delas apontam vitória em primeiro turno. O que de fato não faz o menor sentido em um cenário tão fragmentado e com tantas candidaturas.


Dia 15 de novembro vamos às urnas escolher se nosso 2° turno vai debater ciclovias, passe livre e universalização da saúde e educação com Serafini ou se vamos debater "ideologia de gênero", "kit gay" ou outras fake news com algum candidato da direita que fez campanha pro Bolsonaro em 2018. Peixoto foi secretário do Pezão, fechou com Cabral e Crivella, deixou estragar remédio, não tem o voto nem da direita, nem da esquerda e é o nosso Russomano. Tá em queda livre.


O que a direita mais quer neste momento é que o "voto útil" de quem defende a democracia, lutou contra o golpe e não concorda com as relações da prefeitura com as máfias empresariais na cidade, migre de Flavio e Jô para uma candidatura como a de Axel, que conta com pelo menos cinco partidos da base de Bolsonaro em sua chapa. Enfraquecendo a chapa do PSOL, aumenta muito as chances de um candidato da direita no segundo turno.


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