PSOL, o mito "classe média zona sul" e números concretos

26/09/2016

Foto: Mídia Ninja/Calçadão de Madureira

 

Algumas pessoas gostam de reproduzir a ideia do PSOL como um partido apenas exclusivamente de classe média. Entretanto, os números não corroboram com isso, inclusive os eleitorais. Afinal, como um "partido nanico de laranjeiras" consegue ter o segundo maior número de vereadores do Rio de Janeiro, perdendo apenas para a máquina do PMDB na cidade? E isso tudo sem coligações grandes ou tempo de TV?

 

Para fazer quatro vereadores, cinco deputados estaduais e três deputados federais é impossível ficar preso apenas ao eixo centro e zona sul. Os principais propagandeadores desta ideia do elitismo do PSOL costuma ser o PT e o PCdoB, partidos que atualmente contabilizam pouquíssimos votos na cidade. No total, os dois partidos possuem apenas 2 vereadores do PT e nenhum do PCdoB, ou seja, ambos somados possuem a metade do PSOL. No estado o PT tem três deputados e o PCdoB um, contra cinco do PSOL. Objetivamente, com pouca inserção nos movimentos sociais da cidade por sistematicamente fazer parte dos governos PMDB na cidade e estado, os dois partidos se valem destes argumentos para tentar capitalizar o voto dos cariocas simpáticos ao PSOL para seus candidatos.

 

Fernando Lopes utilizou as estatísticas fornecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral nas eleições passadas para demonstrar como os votos de Marcelo Freixo são igualmente fortes nas zonas Norte e Oeste. Para tal, ele se valeu de uma comparação entre os candidatos mais votados no estado do Rio, excetuando Wagner Montes (2º mais votado) que é impulsionado quase que exclusivamente pela máquina da mídia.

 

Analisando a votação de Marcelo Freixo, candidato mais votado para deputado estadual nas últimas eleições de 2014, em comparação com a votação de Flávio Bolsonaro (terceiro mais votado) e Samuel Malafaia (quarto mais votado) podemos ter uma visão menos embebida em senso comum e preconceito da real capilaridade do candidato do PSOL e também podemos tensionar um pouco o espantalho do povo periférico do Rio, criado por certos setores da política carioca, à esquerda e à direita. Flávio Bolsonaro dispensa apresentações e Samuel Malafaia, irmão de Silas Malafaia, foi o candidato mais forte da bancada evangélica nessas eleições.

Vamos aos números:

 

IRAJÁ | Marcelo Freixo ganha dos outros dois candidatos nas três zonas eleitorais do bairro. Em números absolutos.

 

Freixo: 5848 votos; 
Malafaia, em segundo, com 2626;
Bolsonaro, em terceiro, com 2580.

 

OLARIA | Freixo ganha em 5 das seis zonas eleitorais do bairro. Samuel Malafaia ganha em uma.. Em números absolutos:

 

Freixo: 10801;
Malafaia: 7774;
Bolsonaro: 3852.

 

*Vale ressaltar que em Olaria inclui-se também o bairro da Penha, pois assim o faz o TRE. E também é bom lembrar que na Penha fica o QG do Silas Malafaia, sua Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo. Nem aqui o candidato do Malafaia superou Freixo.

 

CAMPO GRANDE | Marcelo Freixo ganha dos outros dois candidatos em todas as zonas eleitorais do bairro. Em números absolutos:

 

Freixo: 9320;
Malafaia: 6908; 
Bolsonaro: 5070.

 

SANTA CRUZ | Marcelo Freixo ganha em 4 das 6 zonas eleitorais do bairro e Malafaia em duas. Em números absolutos, entretanto, ganha dos outros dois candidatos:

 

Freixo: 5822;
Malafaia: 5571;

Bolsonaro: 3455.

 

Caio Almendra faz uma análise bem pertinente sobre uma pesquisa divulgada pelo Datafolha nestas eleições de 2016 para a prefeitura do Rio de Janeiro. Afirmar que Marcelo Freixo só faz campanha para a classe média é absolutamente uma mentira, 80% das atividades de sua campanha são na Zona Oeste e Norte.

 

Essa ação tem se refletido nos números do último Datafolha. Freixo perdeu um ponto percentual. Porém, isso não significa que ele perdeu um ponto em todos os segmentos. Entre os mais pobres, categorias até dois salários mínimos, Freixo aumentou sua votação em mais de 20%, apesar do baixíssimo tempo de TV. Então, onde e para quem ele perdeu os 1 ponto percentual nas pesquisas?

 

Freixo perdeu três pontos percentuais na categoria entre 5 e 10 salários mínimos e 8 (!) pontos percentuais na categoria com mais de 10 salários mínimos. Para quem? Bem, Jandira cresceu 5 pontos percentuais na categoria de mais de 10 salários mínimos (o melhor resultado na classe média e rica entre todos os candidatos, inclusive entre os da direita) e não cresceu praticamente nada entre os mais pobres, apesar de ter o segundo maior tempo de TV entre todos os candidatos. Em outras palavras, Freixo está disputando o voto mais pobre, Jandira está disputando o voto mais rico.
 

Notem que o impacto do tempo de TV é decisivo para a conquista do voto mais popular e apesar da disparidade gritante entre os 11 segundos de Freixo e os um minuto e vinte sete segundos de Jandira, é Freixo que cresce entre os mais pobres.

 

Isso não acontece à toa. O discurso de "candidato classe média" tem exatamente esse objetivo. Esse discurso não funciona entre os pobres. Quem é pobre pensa por si, não precisa que ninguém o diga como votar, em quem votar e etc. Dizer "o pobre não vota em Freixo" tem baixo impacto entre quem se reconhece como pobre, porém, tem alto impacto em quem não se reconhece como tal mas se arvora de ter "consciência social".

 

Todo o discurso e campanha de Jandira é voltado para a classe média e tem dado exatamente esse resultado. Jandira não quer ser prefeita, não quer disputar a sociedade carioca. Jandira quer restabelecer-se entre os servidores civis, entre a "base social progressista" da Zona Sul e etc. No final das contas, Jandira é quem está fazendo uma campanha para a classe média.

 

Curiosamente, Freixo é o segundo candidato mais apontado como "aquele que fará mais para os pobres", inclusive nas faixas mais pobres da população.

 

Por fim, temos que abordar a questão do segundo turno. Nesse sentido, o companheiro Diogo Coelho faz importantes considerações. Tenho observado vários apoiadores da Jandira inflando seus discursos por conta de, na simulação do segundo turno, a diferença dela pro bispo ter sido um pouco menor do que a dos demais candidatos.

 

Apesar de a estratégia de se apresentar como a candidatura capaz de derrotar o Crivella ser inteligente, no caso da Jandira não se sustenta em pé. Quem acompanha eleição sabe que simulação de intenção de voto no segundo turno antes de terminar o primeiro não vale de nada. Segundo turno é outra eleição. A esta altura, o que conta para o segundo turno é a rejeição. E, neste quesito, Jandira, a exemplo do Pedro Paulo, continua sendo mais rejeitada do que Crivella, e muito mais rejeitada do que o Freixo, por exemplo.

 

Então, quando confrontada com a realidade, essa tática que os apoiadores de Jandira parecem começar a adotar não para em pé. Tem muito mais sentido pro Freixo, ou pro Índio, por exemplo. Como teria para o Osório e o Molon, se eles conseguissem entrar no bolo.


Pois os candidatos com mais chance de derrotar o Crivella num segundo turno são os que têm rejeição bem abaixo dele.

 

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Texto de Felipe Velloso.
 

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