Milicianos proíbem outdoor com críticas a Bolsonaro em Niterói


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Funcionários da empresa SL Comunicação foram proibidos de instalar um outdoor com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) na tarde desta terça-feira (28) na RJ 104, na altura do bairro Santa Bárbara em Niterói, em frente ao CIEP da região.


Os trabalhadores foram ameaçados por homens que chegaram em carros e ordenaram que a mensagem fosse retirada imediatamente. O trabalho foi interrompido no meio e os trabalhadores cobriram o que já tinha sido aplicado com papéis em branco. A empresa responsável pela instalação devolveu o dinheiro pago pelo outdoor e alegou que não iria mais realizar o trabalho para não ameaçar a vida dos seus trabalhadores.


O Comitê 'Fora Bolsonaro e Mourão' de Niterói e São Gonçalo, que reúne ativistas, movimentos sociais, sindicatos e partidos das duas cidades, foi a organização que pagou pela instalação do outdoor e agora irá procurar outra empresa que possa realizar o trabalho em outro local. Homens coagirem pessoas e as proibirem de exercerem seu direito ao trabalho e liberdade de expressão é uma prática miliciana e estão cometendo um crime. Isso vai ser denunciado e todas as medidas jurídicas já estão sendo tomadas.


Mensagem que foi proibida de ser aplicada no outdoor

Liberdade de expressão ameaçada no Brasil


Um levantamento feito pelo ANDES-SN descobriu que grupos bolsonaristas organizados estão ameaçando trabalhadores por todo o país e censurando qualquer tipo de crítica contra o governo de Jair Bolsonaro. Empresas estão se recusando a instalar outdoors com mensagem contrárias ao presidente por medo de retaliação:


"O Sindicato Nacional entrou em contato com diferentes empresas em Brasília (DF), Curitiba (PR) e Cuiabá (MT). E, também, com uma grande empresa do ramo que opera nas capitais: Salvador (BA), Recife (PE), Aracaju (SE), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Natal (RN). As empresas se recusaram a veicular a propaganda alegando que, independente de posições políticas, não instalariam a mensagem por medo de retaliação."
- Site do ANDES-SN

Após a troca no comando da Polícia Federal por vontade de Bolsonaro, essa semana o candidato do PSOL Guilherme Boulos à prefeitura de São Paulo foi intimado por fazer uma crítica a Bolsonaro em seu Facebook no mês de abril. A jogadora de vôlei Carol Solberg foi atacada com uma série de mentiras na internet e agora está ameaçada pelo STJD por ter dito "Fora Bolsonaro" após uma entrevista televisiva. Nenhum atleta e nenhuma pessoa deve ser censurada e proibida de expressar suas opiniões políticas.


O "cala boca" da ditadura militar no Brasil já morreu e não vamos deixar que nossa democracia seja destruída por grupos militares e paramilitares que não sabem conviver com a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias.

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