Manifesto em defesa dos profissionais da saúde


Manifesto por condições de trabalho no combate ao coronavírus: Profissionais de saúde pedem socorro!

Vivemos um dramático avanço da pandemia da Covid-19, acompanhado pelo aprofundamento da crise política e econômica no Brasil. Enquanto os fatores sanitários e políticos se retroalimentam, as mortes crescem e aumenta a procura por hospitais. No Rio de Janeiro avançamos para o esgotamento do sistema de saúde pública. Essa situação coloca uma questão urgente: uma parte dos trabalhadores e trabalhadoras está na linha de frente do combate à pandemia e não tem recebido do governo condições mínimas de trabalho. Os relatos de profissionais de saúde alertam para a ausência de cuidados com a segurança mediante a exposição ao vírus. A falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) e testes para esse setor corresponde a uma das demandas mais urgentes para o conjunto da tarefa de salvar vidas.


É certo que a precarização do SUS é um processo que vem de décadas, fruto da hegemonia do neoliberalismo. Pagamos todos e todas nós o preço pelo sucateamento dos serviços públicos, pela tendência à privatização (aberta ou mascarada) e pela terceirização e fragilização dessas relações de trabalho. No caso particular da saúde, não é de agora que seus profissionais desenvolvem suas funções com muitas dificuldades e pouquíssima valorização. A Lei de Responsabilidade Fiscal, sancionada por FHC em 2000, foi um duro golpe de estrangulamento financeiro ao sistema. Anos depois, em 2016, ocorreu a aprovação da Emenda Constitucional 95, congelando os gastos públicos por 20 anos em saúde e educação, com a perda de bilhões de reais nos serviços essenciais.


Mas a pandemia está elevando o que era penoso ao nível do insuportável. A falta de EPI’s de qualidade e em quantidade adequada para as trocas durantes os plantões, com o devido treinamento para seu uso, e a ausência de testagem sistemática coloca em risco a vida dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Quando isso se soma ao assédio moral e à insuficiência de leitos, cada unidade de saúde vem se transformando em uma panela de pressão. Muitos sequer têm visto seus familiares com medo de transmitir o vírus.


Todos e todas nós podemos precisar de atendimento hospitalar. Por isso, precisamos cercar de solidariedade os trabalhadores e trabalhadoras da saúde e unir forçar para denunciar a negligência dos governos, exigindo solução emergencial para a falta de EPI’s e testes. Além do risco à própria vida desses sujeitos, ao serem cotidianamente expostos ao vírus sem proteção podem acabar agravando a disseminação da doença pelo espaço urbano. São milhares de profissionais, em sua maioria mulheres e negras, que têm nomes, histórias e famílias, e que precisam estar vivas e saudáveis, porque é direito delas e porque delas dependemos para defender a vida de todo o povo. Estão crescendo de forma muito preocupante os registros de óbitos e de profissionais infectados, consequência evidente do descaso dos governos.


No Rio de Janeiro, responsabilizamos Bolsonaro, Witzel e Crivella por cada profissional de saúde que adoeça ou venha a falecer. Embora haja um conflito político entre esses governos e, portanto, adotem discursos diferentes quanto à gravidade da situação, nenhum deles se diferencia no que diz respeito à disponibilidade de EPI’s, testes, condições de trabalho e valorização econômica emergencial dos e das profissionais de saúde.


Políticas como a garantia da renda básica e sua ampliação são essenciais para garantir o isolamento na sociedade, e conter a virulência da pandemia, mas são insuficientes para lidarmos com a crise da saúde. Os sindicatos e movimentos organizados de todas as categorias, os partidos de esquerda e seus parlamentares, os coletivos de combate à opressão, e todos aqueles e aquelas que estão conscientes da gravidade da situação devem dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelo pessoal de saúde, a fim de denunciar o descaso dos governos e exigir deles a aquisição urgente de EPI’s e testes. Unimos nossas vozes nesse documento, e queremos ações de emergência por parte dos governos. Aos profissionais da saúde nos unimos, vocês não estão sós!


Exigimos, com urgência:


– EPIs, com o devido treinamento, e testes para todos os trabalhadores e trabalhadoras da saúde que estão na linha de frente dos atendimentos;


– Fluxo único da rede hospitalar para tratamento dos casos de Covid-19 organizado pelo SUS, incluindo equipamentos privados;


– Garantia e ampliação da renda básica, com pagamento imediato do auxílio emergencial pelo governo Bolsonaro, a efetivação do pagamento por Crivella e ampliação do auxílio pelo governo de Wilson Witzel;


– Testagem da população, entrega de máscaras e cestas básicas pelo poder público;


– Garantia de abastecimento de água nas favelas e interrupção das operações policiais que colocam em risco a vida de quem mora e trabalha nesses territórios.


Assinaturas:
  1. 8M Niterói

  2. ADOULAS-RJ

  3. Aduff S Sind / ANDES _ SN

  4. Afronte!

  5. AGB-Rio – Associação de Geógrafos Brasileiros – Seção Rio de Janeiro

  6. AMB Rio – Articulação de Mulheres Brasileiras RJ

  7. AMTRJ – Associação de Musicoterapia do Rio de Janeiro

  8. ANDES_ SN / RJ

  9. Articulação Brasileira de Lésbicas

  10. Asibama RJ

  11. Associação de Ex Conselheiros da Infância (AECCI)

  12. Associação dos Servidores da Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro – ASSERVISA/RJ

  13. Associação dos Servidores Publicos Municipais da Saúde de Niterói – ASPMSN

  14. ATAC – Articulação de Trabalhadores das Artes da Cena pela Democracia e Liberdade

  15. Biblioteca Feminista UFRJ

  16. Bloco Nada Deve Parecer Impossível de Mudar

  17. Brigadas Populares

  18. Candaces Rede Nacional Lésbicas e Bissexuais Negras

  19. Casa da Mulher Trabalhadora – CAMTRA

  20. Casa da Utopia

  21. CEDIM RJ

  22. Central Ún