Mangueira leva nos pênaltis o título da Copa Morro do Estado


Foto: Ernane Vianna / PSOL Niterói

No último domingo (20), dia da consciência negra, aconteceu a final da Copa Morro do Estado em Niterói. O time Mangueira disputou com o C.P. o título de melhor do morro exatamente a partir das 16:30h no campinho da favela. Depois de um empate no tempo normal, a decisão foi para os pênaltis e o Mangueira acabou levantando o caneco e se sagrando bicampeã por 3x2 nos tentos finais.


Enquanto houver o futebol popular e seus encantos, auto-organizados ao lado de painéis de Dandara e Zumbi, não para divulgar bancos ou empresas privadas, a essência do futebol respira. Enquanto o futebol moderno tenta ao máximo domesticar seu torcedor, o futebol popular deixa a torcida abraçar seu time até nos momentos mais decisivos. A várzea resiste.


"A várzea, celeiro de muitos craques brasileiros,

não é o palco ideal para o gingado perfeito ou para lances de mágica com a bola nos pés.

Salários, direitos de imagem, empresários, nada disso existe nos campos e terrões castigados da várzea.

O futebol mercantilizado não passa pela grade do campinho

A várzea é uma ferramenta de resistência ao futebol subordinado às imposições do mercado, da televisão e do dinheiro. O futebol popular, por sua vez, uma incansável trincheira contra o que chamam de geração Neymar:

“Outro dia tivemos que passar fita isolante na chuteira de um dos jogadores.

Acredita que ele veio jogar de chuteira amarela? Maldito futebol moderno."

(Autônomo Futebol Clube)

O torcedor (por Eduardo Galeano) Aqui o torcedor agita o lenço, engole saliva, engole veneno, come o boné, sussurra preces e maldições, e de repente arrebenta a garganta numa ovação e salta feito pulga abraçando o desconhecido que grita gol ao seu lado. Enquanto dura a missa pagã, o torcedor é muitos. Compartilha com milhares de devotos a certeza de que somos os melhores, todos os juízes estão vendidos, todos os rivais são trapaceiros.


É raro o torcedor que diz: “Meu time joga hoje”. Sempre diz: “Nós jogamos hoje”. Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurram a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música.


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